- ESCAPE
- Nov 4, 2019
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Updated: Nov 21, 2019
Expressão, criação e visão de Giovanna Fialho
A jovem designer utiliza a moda como ferramenta para a exteriorização de desejos e como palco para seus debates internos
Guilherme Lucas
Giovana Fialho, 25, é produtora de moda e designer de sapatos com especialização em Anatomia de Tendências pela Cercal Lab. Atualmente, a jovem estuda Negócios de Beleza na Academia Diadema Milano, na Itália, e abastece um blog voltado a estilo de vida com pautas sobre fotografia, turismo e comportamento.

Gi, como é apelidada, lembra de sua relação com a moda ser estabelecida ainda pequena, com 7 anos de idade, enquanto sua mãe cortava a barra de um jeans que havia ficado curto e customizado para uma bermuda de bater. “Peguei a bermuda assim que saiu da máquina, depois peguei uma linha amarela e uma agulha. Costurei uma das pontas da peça, apliquei uma trança de lã, colei corações com um outro retalho que estava ali disponível e saí desfilando”, revela a designer. Ainda puxando suas referências, a jovem declara que quando criança adorava brincar de teatro na casa dos avós e sempre tinha interesse no todo: “Eu queria ter o controle de tudo. Queria fazer o cenário, desenvolver figurinos, escrever o roteiro... Percebo agora que moda sempre esteve muito intrínseca em mim. Moda transcendeu por mim como uma forma de expressão e criação”.
Giovana cresceu com sua mãe, tia, avô e duas primas. A mãe e a tia eram pedagogas e seu avô possuía afinidade com fotografia e escrita. Apesar de ninguém ter um vínculo direto com a moda e o cenário artístico, toda a criação e educação estimulou ela e e as duas primas para tal: “Apesar de ninguém ser artista, eu e minhas duas primas possuímos veias artísticas. Eu fui para o lado de desenvolvimento de produtos, a Fernanda pinta e a Júlia é dançarina do Bolshoi. Acredito que moda nunca foi sobre roupa, e sim pela expressão pessoal por meio do que vestimos”.
Como designer de sapatos, Giovanna trabalhou para Marco Rossi, uma empresa prestadora de consultorias de sapatos. “Designer de sapatos nada mais é do que sapateiro. Neste trabalho, produzíamos em massa para outras companhias colocarem suas etiquetas. As marcas indagavam por modificações, porém, me lembro de um episódio bem gratificante: consegui terceirizar um sapato que foi inteiramente aprovado, sem nenhuma alteração", conta a designer. Ela diz que por estar executando justamente este serviço de terceirização, era impossível assinar a peça como estilista, mas que tal ocorrido a encheu de satisfação e orgulho sobre suas habilidades.

Dona de seu espaço na internet, Giovanna se vê completa postando conteúdo e seu blog, Caos Arrumado: "Queria um espaço meu, no qual as pessoas não poderiam me limitar e julgar. O blog nasceu da minha necessidade de me expressar". Dividido em editorias de sua predileção, Giovanna fala sobre fotografia e turismo na Itália, unindo com suas vivências, por um viés menos romantizado.
A designer adora migrar entre os diversos campos de sua afinidade e brinca que, num universo paralelo, gostaria de ter um reality show: "Sei que parece meio bobo, mas gostaria de um programa fora da caixinha. Gostaria de desenvolver uma versão próxima ao Queer Eye, formado por mulheres, sugerindo o quanto a moda pode salvar e o quanto ela pode ser muito mais do que a roupa que você está usando", conta Gi.
Para o futuro, Giovanna Fialho gostaria de profissionalizar seu blog, abrindo ainda uma editoria de beleza, na qual enalteceria todos os aspectos de si que lhe deixam confortável. Em sua estadia pela Itália, a jovem afirma estar focada prospectando novos cursos para seu desenvolvimento e se dedicando bastante à fotografia.
Quando questionada sobre a conscientização da moda na Itália, a designer não poupa as palavras: "A Itália é um país bem conservador. Em muitos aspectos o desenvolvimento é mais evoluído que o Brasil, como por exemplo o mercado de trabalho, que é repleto de mulheres. Porém, na moda, é extremamente conservador. Para eles, roupa boa é roupa de luxo. Sem contar que, infelizmente, eles ainda prezam por alguns processos não tão sustentáveis. Seguindo esta ideia, caso não tenha dinheiro para comprar as roupas de luxo, muitas vezes os italianos se voltam às feiras locais, que, no final das contas, acaba sendo a imitação do que acontece ali por Milão e que nada mais é do que importado da China", revela, com pesar.
Já nos processos de cuidados com as roupas, Giovanna afirma que os italianos aparentam preservar mais as suas peças do que os próprios brasileiros. Defensora do upcycling e da moda consciente, a moça critica como a indústria incita e enfatiza as aquisições e sugere que o que deveria realmente ser trabalhado seria a conscientização do desejo de compra: "Quando compramos uma roupa estamos comprando por que de fato precisamos ou para se parecer com alguém? Para saciar nosso ego?".
Comprometida, todos os estudos de Giovanna vêm se unificando e refletindo na fotografia. Com olhar crítico, a jovem relembra dos ensinamentos de seu avô ao clicar e vem se encontrando cada vez mais no mundo da foto, se utilizando cada vez mais dessa arte para trabalhar seu estilo e linguagem na disseminação de sua mensagem.





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