top of page
  • ESCAPE
  • Nov 4, 2019
  • 3 min read

Updated: Nov 21, 2019

Coerência em negócio


Mariana Lombardo é fundadora da marca consciente Karmen e reflete questões de moda consciente



Na foto acima, Mariana posa com um boné de sua produção


Guilherme Lucas


“A roupa é um espelho da nossa sociedade. E, se pararmos para analisar, o que o fast-fashion está refletindo sobre nós?”, é o que indaga Mariana Lombardo, 37, diretora criativa da marca sustentável Karmen.


Responder o questionamento com dados, infelizmente, revela resultados um tanto quanto impactantes. De acordo com “A new textiles economy: Redesigning fashion`s future”, um relatório publicado em novembro de 2017 e elaborado pela Ellen MacArthur Foundation, a cada segundo, o equivalente a um caminhão de lixo repleto de sobras de tecido é queimado ou descartado em aterros sanitários. Não tem como ser imparcial… a moda há de ser repensada.


E é exatamente o que empreendedores como Mariana estão tentando fazer. "É a única maneira de eu continuar na moda. A indústria é complicada. Eu não conseguiria fazer parte disso tudo de outra maneira... Há muita coisa incrível nos descartes, entrei neste meio querendo ser mais um grão de areia nessa possível grande revolução de consumo e sentido". Karmen, a marca da diretora criativa, é inspiradora. Com o conceito de reutilizar o que a indústria têxtil descarta, os tecidos ganham um novo valor. Os materiais passam por processos de tingimento, estamparia, costura e bordado, ganhando um design atual e uma nova identidade.



Mariana Lombardo adora ser fotografada e veste peças de sua própria marca


Carolina Biaggi, 28, estilista e criadora da Terra da Garoa, uma marca de coleções exclusivas, sem grande escala, de fibras biodegradáveis e tecidos reutilizados, é mais uma representante do movimento slow. "Esta corrente do slow-fashion é uma filosofia de vida que precisa ser aplicada. Fico feliz que cada vez mais as pessoas estão tendo interesse na procedência de um produto e, depois de adquiri-lo, estão pensando cada vez mais na melhor forma de descarta-lo", comenta a empreendedora.


O discurso do slow está em ascensão e, aqui no Brasil, temos cada vez mais ótimos representantes do seguimento. Além da Karmen e da Terra da Garoa, vemos muitas outras empresas do ramo conquistando seu espaço no mercado: a carioca Ahlma, a marca de bolsas artesanais cearense - a qual foi a primeira a abrir seus custos para o público - Catarina Mina, Gioconda Clothing e Coletivo de Dois, todas tendo em comum a esperança no futuro e pregando colaboração ao invés de disputa. É a humanização do negócio.


Mas claro, como tudo na vida, precisamos ter olhos atentos. Mariana e Carol concordam com o crescimento do negócio sustentável e aconselham o consumidor a sempre investigar. "Temos que ter cuidado para não cairmos no The Green Washing", diz a fundadora da Karmen. O termo se refere ao discurso da sustentabilidade apropriado por algumas empresas e, que no fim das contas, fazem isso apenas pelo hype, se contradizendo e enganando o consumidor.


Para as pessoas que questionam o sentido do slow-fashion e acreditam ser paradoxal combater o grande consumo de roupas produzindo mais roupas, Mariana declara: "Eu estou produzindo uma escolha. Faço parte de um grupo que oferece alternativas. Quem se interessa por moda bruta, há disponível as fast-fashions, quem se interessa por moda consciente, há disponível uma nova gama de negócio".

A esquerda, a designer palestra sobre moda consciente

E esta nova gama de negócio é sensível, acolhedora e surpreendente. A moda sustentável veio para humanizar o consumo, respeitar o meio ambiente e valorizar pequenos produtores e produtos nacionais. É ou deveria ser a moda do futuro. A moda onde o "fazer, comprar e vender" não é automático, e sim, sensibilizado.

Comments


    © 2020 Guilherme Lucas de Lima - Proudly created with Wix.com

    bottom of page