- ESCAPE
- Nov 4, 2019
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Updated: Nov 21, 2019
Os dons da costura em prol do vestir
Jay, fundador da J.BOGGO+, utiliza sua marca como palco para debates conscientes e um ato de vestir-se a favor da verdade, amor e libertação pessoal

Guilherme Lucas
A marca J.BOGGO+ com certeza preenche um espaço especial na sociedade, no campo da moda consciente, no coração e no estilo de ser das celebridades globais, atores, modelos e em todos que a vestem.
Jailson Alves Boggo, (37), ou simplesmente Jay, como é reconhecido pelas ruas de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, e por seus clientes, possui uma vasta experiência no mundo da moda. Sua marca, J, veste atores como Mateus Solano, Cauã Reymond, Thaís Araújo, Cláudia Raia e grandes designers como Gustavo Neves e Aldi Flosi. De acordo com o empresário e criador, seus consumidores possuem anseios artísticos natos: “quando buscam minhas criações, de alguma forma, as pessoas estão querendo revelar e expressar sua identidade artística. Meus compradores priorizam a liberdade e o conforto para vestir o que quiserem. Olhando para si mesmos de J.Boggo+, eles gostam de relembrar como é muito mais gostoso ser natural e repleto de possibilidades”, revela o fundador da marca.
Mas não foi sempre assim... Jay nasceu em Rio Grande do Sul e antes de ser adepto ao consumo consciente e ao Slow Fashion, passou por um processo independente e solitário de descoberta e aceitação. O empresário revela, cheio de orgulho, que esta transição não ocorreu da noite para o dia, levou tempo, análises, críticas pessoais, profissionais e foi antes de seu encontro com a espiritualidade, há 10 anos, sendo algo constante, que dura até hoje. Jay notou que estava fazendo roupa por fazer.
“Fui Fast-Fashion por 16 anos numa grande empresa, produzindo grandes marcas como Zara e Farm, até que em um determinado momento toda minha verdade colapsou. Quando descobri quem eu era e qual meu papel neste mundo, a empresa perdeu o sentido para mim.
A fechei. Se você entra no jogo da verdade, não se pode ter meias-verdades”, desabafa Jay.

Jay estava cansado de consumir “pano”, de consumir roupa de forma desenfreada, seguindo padrões impostos e seguindo vitrines. O empresário estava farto com o greenwashing da indústria – ou “lavagem verde”, termo criado para designar-se à ações, conceitos e campanhas que apenas aparentam como determinada marca é amigável e preocupada com o meio ambiente e o consumidor. Foi a partir daí que Jay, de fato, entrou no jogo da verdade.
Conectado com esse novo mundo, Jay diz que as coisas começaram a funcionar, dar certo, trazer calmaria e atrair boas energias. Segundo ele, as metas vão embora e se vive um dia de cada vez: “percebi que a indústria não me pertencia. Neste processo de desconstrução pessoal também veio o emagrecimento, a elucidação da real utilização de meus dons e a verdadeira expressão da minha arte, independente de dinheiro e de qualquer outra coisa. Estava querendo colocar meus dons a serviço, com o objetivo de trazer libertação e amor”.
E é assim que consolida-se a J.BOGGO+. A marca se estabelece no campo da moda
abusando do estilo genderless, não se prendendo a rótulos, dando prioridade à fluidez dos corpos, à leveza, pregando a resistência por um mundo responsável e livre de preconceitos.
Quando questionado sobre suas inspirações, Jay revela não entrar em sites e não ir muito atrás de tendências. Porém, declara ser um apreciador de teatros: “assisto toda semana uma peça e ali, no palco, entro em transe. Choro, me emociono e me inspiro... é tudo bem intuitivo e pessoal. O palco nutre minha alma e me inspira a viver”.
Desprendido de excessos, a alma de Jay é uma alma leve, com coração pacífico e um ser que exala sensibilidade, compaixão e aprendizado. Adepto a um estilo de vida saudável, o empresário prática muito exercício físico, terapia, yoga e pilates: “Tudo que movimenta o corpo liberta tensões e energias. Procuro caminhar muito, estar próximo à natureza e meditar. Sempre que me pego com algum pensamento conflitante, que me impede de estar no fluxo do amor, é meditação na hora”, revela o adepto do Slow Fashion.
Jay é pai de dois garotos, Dom e Pedro (10 e 8, na foto acima, respectivamente). O empresário é daqueles pais babões, que não dispensa elogios aos filhos em seu perfil pessoal. Para ele, seus filhos são os maiores presentes que a vida lhe pôde proporcionar: “meus filhos evidenciam o real valor da liberdade, serenidade, confiança e inteligência. É um amor que nos preenche sem cobrança e guiador. Me tornei uma pessoa melhor com eles. Desde criança sempre fui conhecido como Jailson Boggo, sobrenome da minha mãe, e, com a paternidade, confesso que tive mais facilidade em assumir a figura do Jailson Alves. A paternidade teve muito a somar no meu descobrimento pessoal... percebi que as várias facetas do Jay estão ali para se interpor e permitir com que ele seja tudo que ele quiser ser, evidenciando assim a minha real essência”.
Os filhos de Jay possuem naturalmente a moda dentro deles. Segundo Jay, eles são vaidosos e curtem a história de brincar com suas aparências, como ter um cabelo incrível ou colocar uma roupa eles por eles mesmos. O empresário ainda dá mais detalhes: “nunca precisei falar para eles usarem algo. Eles sempre estiveram livres para usa o que quiserem e isso traz à tona em mim constantes lembranças de como o ser humano é independente e espontâneo, fora de padrões”.
A equipe de Jay não é tão grande, contando com aproximadamente 7 pessoas. Jay aponta que todos possuem uma relação de respeito, amor, sinceridade e reciprocidade.
Tomando decisões com base no coração, o qual Jay afirma ser o grande cérebro da gente, ele e sua equipe dão novos significados a retalhos e diz ser muito estimulante e prazeroso a relação que se cria com pedaços de tecidos descartados pela indústria. “É maravilhoso sentar com sua equipe e trabalhar na produção e transformação de algo incrível e exclusivo. Esse é o processo que gera independência e uma nova forma de consumo. Saber que a peça vai cobrir um corpo, vestir uma alma, e não vai para o lixo é muito gratificante e profundo Me realiza por completo. É um trabalho de resgate, uma nova história sendo desenvolvida repleta de bons sentimentos”, exterioriza Jay.
É justamente essa a história que a J vem propagando e impactando no mundo, no meio ambiente e nas pessoas: sábias escolhas e a união pela autenticidade. J.BOGGO+ não se limita e não se sustenta por padrões e estereótipos, é a junção dos palcos e das artes com a invocação para um estilo de vida consciente, que vem tomando conta das ruas e passarelas. A marca cumpre seu papel em tempos de descasos com a natureza e prova que na era da verdade e criticismo, veio para ficar, vestir e durar.



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